Família Hartung
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História da Família Hartung e da imigração alemã no interior de São Paulo


Apresentação:
Douglas S. Hartung, “auxiliado por seu filho Leonardo”, é autor do livro Negócios Internacionais, publicado pela Editora Qualitymark. Negócios Internacionais foi adotado por várias universidades no Brasil, incluindo a Universidade de São Paulo, em um MBA homônimo.
Douglas é pós graduado em Finanças e Mercado de Capitais, trabalha atualmente em uma Asset Management - com fundos de investimento.


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FAMÍLIA JAECKSCH: Amigos, fomos constatados por membros da família Jaecksch da Alemanha que estão a procura de possíveis parentes no Brasil, que se instalaram inicialmente em Limeira para trabalhar na Fazenda Ibicaba. Caso vc. conheça alguém com esse sobrenome ou alguém que seja descendente dessa família, por favor, contate-nos. Informamos que há 25 anos essa família vem procurando os descendentes de Johann e Christian Jaecksch sem sucesso. Contamos com a ajuda de todos, obrigado.


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Família Hartung

Em agosto de 1853 chegaram ao Brasil Johann Friedrich Hartung com sua esposa Katharina, e os filhos Ferdinand e Henriette, com 18 e 4 anos, respectivamente. Vieram da Turíngia, estado alemão berço do protestantismo, para trabalhar na Fazenda Ibicaba, em Limeira, no interior do Estado de São Paulo. Na fazenda uniram-se a outros alemães e suíços que já se encontravam lá.

Os primeiros anos foram difíceis. A mudança brusca nos hábitos alimentares, um clima implacável, cujo sol castigava-lhes a pele. Sofriam com tumores na pele, ausência de alimentação adequada, diarréia, insetos e o “bicho berne”. A grande ajuda veio dos escravos que lhes apresentaram uma raiz, chamada mandioca. Esta imediatamente passou a fazer parte do cardápio das famílias alemãs, em substituição à batata, um verdadeiro achado.

Não havia escola, assistência médica e liberdade religiosa. A família Hartung era protestante. As condições na fazenda estavam aquém do prometido na Europa e quando questionavam acerca das promessas, ouviam em seu próprio idioma: “Aber jetzt, bist du in Brasilien!” – tradução: “Mas agora, você está no Brasil!”.

Cada imigrante recebia um cafezal para cuidar. Alguns mal plantados, outros eram verdadeiras pedreiras. Recebiam também uma gleba de terra destinada à cultura de subsistência, bem como uma pequena casa para morar e um adiantamento em dinheiro para cobrir as despesas iniciais da viagem, mais a alimentação e a vestimenta inicial, por um período de um ano, aproximadamente. Sobre esses valores corriam juros de 6 por cento ao ano. Tudo o que o colono colhia tinha de dividir com o dono da fazenda na proporção de 50 por cento. Entretanto, nem sempre seus produtos eram avaliados justamente, ocorrendo situações onde os preços pagos aos colonos eram inferiores aos praticados nas cidades circunvizinhas. Quando reclamavam dos preços: “Aber jetzt, bist du in Brasilien!”

As dívidas com os donos da fazenda só aumentavam, chegando ao cúmulo de totalizar o equivalente a uma carta de alforria. Muitos alemães e suíços passaram a fugir na calada da noite. A insatisfação levou os colonos a uma rebelião armada, em 1857, liderados pelo suíço Thomas Davatz. O consulado suíço, no Rio de Janeiro, foi acionado e enviou dois funcionários, entre eles, o Sr. Heusser, para investigar as condições em que viviam os imigrantes. Davatz foi expulso do Brasil, acusado de ser “comunista” e na Suíça escreveu um livro contando a respeito das condições de vida na fazenda. As informações que chegaram na Europa davam conta de que brasileiros utilizavam “escravos brancos” em seu território, criando uma calorosa discussão sobre a imigração para o Brasil, e um embaraço diplomático. O impacto do livro de Davatz freou bruscamente o processo imigratório.

O Conselheiro Privado do Rei da Prússia, que já vivera no Brasil por alguns anos, Sir. Gustav Kerst desferiu pesadas críticas contra o governo e o povo brasileiro, desmoralizando o império de D. Pedro. Como conseqüência, em 1859, os estados alemães proibiram, temporariamente, a imigração para o Brasil, outros países seguiram o exemplo. Mais tarde a imigração foi liberada, desde que não fosse para a província de São Paulo, o que direcionou o fluxo migratório alemão para Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Ferdinand casou-se com Katharina Topp, também da Turíngia. Tiveram várias filhas, e dois filhos: Anton Hartung e Nicolau Hartung, sendo que apenas este último nasceu fora da Fazenda. Infelizmente, até o momento, não foi possível identificar todas as filhas do casal, sabemos apenas da existência de: Ida, Caroline e Henriette.

Em 1862, partindo de Antuérpia, Bélgica, uma vez que Hamburg não podia permitir embarques para Santos SP. chegaram da Prússia e de Luxemburgo, respectivamente, as famílias de Phillip Dietrich e Johann Peter Kapp, que se tornariam amigos da família Hartung e mais tarde casariam seus filhos.

De uma forma geral, a maior parte dos imigrantes alemães e suíços que foi trabalhar na Fazenda Ibicaba não tinha aptidão para a lavoura, pois eram marceneiros, músicos, ferramenteiros, alfaiates, sapateiros, etc. Dos acima citados, apenas Phillip Dietrich e família tinham experiência de trabalho na lavoura. Isso justifica o fato das reclamações, por parte dos proprietários das terras, ao se queixarem de alemães e suíços não saberem cultivar, desperdiçarem sementes e conseqüentemente colheitas inferiores ao desejado.

Em 1869 chegou o missionário Johann Jacob Zink, encarregado de realizar batismos e casamentos de suíços e alemães, de origem protestante. Começa a haver uma assistência religiosa a esses imigrantes, embora missionários Presbiterianos já tivessem passado pela fazenda.

Em 1867 a família Hartung deixou a fazenda e foi morar na cidade de Rio Claro-SP, saíram com filhos e netos, nascidos no Brasil, que mal sabiam ler e escrever o próprio nome. Em 1872, aos 59 anos, faleceu Katharina Hartung, esposa de Johann Friedrich, que viria a falecer em 1876, aos 64 anos, deixando os filhos Ferdinand, Henriette e também Bernardo, este último nascido na fazenda Ibicaba em 1854. A exemplo de outros imigrantes, a família Hartung, passou a viver em pequenas propriedades rurais, cultivando hortaliças, verduras, frutas e os vendendo nas cidades.

Em 1887, Anton Hartung casou-se com Dorothea Dietrich, filha de Phillip, em cerimônia celebrada pelo pastor Zink. Tiveram 4 filhas e em 1896 um filho chamado Friedrich Phillip Hartung ou Frederico Felippe Hartung. Semelhante ao casal Ferdinand e Katharina, também não conseguimos os nomes das irmãs de Frederico.

Ainda no século XIX, por volta de 1890, foi aberto o Consulado Imperial Alemão, na cidade de Campinas, interior de São Paulo, destinado a prestar assistência consular aos alemães e seus descendentes, bem como de proceder às matrículas consulares.

Por volta de 1900, Ferdinand Hartung falece. Nicolau Hartung, seu filho, faleceu em maio de 1906, aos 37 anos e sem filhos. Em agosto de 1910, Anton Hartung também falece, aos 47 anos. Pai e filhos foram sepultados no cemitério Evangélico de Rio Claro, também chamado de "Cemitério dos Alemães".

1908, Johann Peter Kapp viaja à Alemanha, cumprindo o que havia dito quando chegara ao Brasil, aos 17 anos.

1910 Reduz substancialmente a imigração alemã para o mundo. Oficialmente 5 milhões de alemães haviam deixado o país, desse total, apenas 260 mil veio para o Brasil.

Em 31.12.1913 terminou o prazo para que alemães e seus descendentes se matriculassem em repartição consular, com objetivo de manterem a nacionalidade alemã.

Em 1914, tem início a primeira guerra mundial. Os alemães e seus descendentes são, pela primeira vez, alvo de hostilizações em terras brasileiras. A Igreja Evangélica Luterana de Rio Claro-SP, foi alvo de vandalismo. Suas vidraças foram destruídas e uma agitação popular derrubou os portões da Igreja. O policiamento foi reforçado com uma cavalaria vinda da cidade de Campinas – SP.

Em 1930 Frederico casou-se com Anna Margarida Naidig, neta de Johann Peter Kapp e Anna Schenten. Tiveram os seguintes filhos: Antonio (em homenagem a seu pai que havia falecido, quando Frederico tinha apenas 14 anos), Maria do Carmo, José e Arlindo. José teria os filhos Fernando e Douglas.

Em 1939 começou a segunda guerra mundial. Seguiu-se nova onda de perseguição aos alemães e seus descendentes. Muitos foram acusados de espionagem e envolvimento com a causa nazista. O idioma alemão foi proibido em público, livros escritos em alemão foram destruídos, inclusive livros contendo registros de nascimento, batismo, casamento e óbito e vários documentos oficiais. Muitos descendentes foram alvo de hostilizações, inclusive violência física. Frederico Hartung, embora nascido no Brasil, não escapou da “perseguição”. Vários alemães e descendentes foram presos. O Sport Club Germânia-SP, time de futebol responsável pela primeira partida oficial reconhecida pela FIFA em território brasileiro, constituído por descendentes de alemães, foi fechado por ordem do Governo Federal. A sede do Clube Germânia no Rio de Janeiro também foi desapropriada. O clube só voltaria a reabrir em 1950.

O periódico “Deutsche Zeitung’, jornal brasileiro, escrito em alemão para alemães e seus descendentes foi fechado por ordem do governo e todo seu maquinário confiscado. O caso mais dramático foi do Diretor do Verein Deutsche Schule São Paulo (hoje Colégio Porto Seguro) Gustav Adolf Hoch, acusado de espionagem, foi preso em 11 de julho de 1942, pelo DOPS. Ele faleceu seis dias depois de sua prisão, vítima de um provável ataque cardíaco, ainda em poder do DOPS. O idioma alemão só voltou a fazer parte dos currículos das escolas alemãs em 1970.

Em 28/08/2003, o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, comunicou à família Hartung que todas as matrículas consulares realizadas no Consulado Imperial de Campinas não existem mais. Tais registros são indispensáveis para que os descendentes de cidadãos alemães que se estabeleceram nessa região tenham a nacionalidade alemã.

RELAÇÃO DE COLONOS DA FAZENDA IBICABA – (Parcial)

Ferdinand Hartung– Thüringen
Johann Topp – Thüringen
Johann Friedrich Hartung – Thüringen
Johann Peter Kapp – Luxemburg
Phillip Dietrich - Preussen
Klaus Rehder – Schlleswig-Holstein
Carl R. Tückmantel - Preussen
Heinrich Rupp – Bayern
Cristian Wenzel – Thüringen
Reinhard Portz – Bayern
Heinrich Schneider – Rheim
Nicolas Schviehert – Preussen
Valentin Hellmeister – Hessen
Mathias Dengler – Hessen
Heinchrich Rost. – Thüringen
Bernard Kercher – Hessen
Carl Schultheiss – Thüringen
Ernst August Wachler – Thüringen
Frederica Werlick (viúva) – Thüringen
Karl Breternitz – Thüringen
Julius Breternitz – Thüringen
Cristopher (?) Wenzel – Thüringen
Adolph Saas – Schleswig-Hollstein
Barbara Musel (viúva) – Hessen
Johann Willhelm Rauche – Thüringen
German Helle – Thüringen
Johann Jaecksch – Thüringen
Johann Schubert (viúvo) – Thüringen
Johann Idamm – Thüringen
Gottfried Obsfelder – Thüringen
Franz Helle – Thüringen
Ambrosius Struhband – Hessen
Karl Peters – Preussen
Jacob Levy (viúvo) – Rheim
Nicolaus Burgharez – Rheim
Niclaus Laubenstein – Bayern
Thomas Davatz - Suíça
Jacob Merz – Suíça
Johann Pott – Preussen
Phillip Lenharez – Hessem
Friedrich Harz – Thüringen
Karl Held – Holanda
Bernard Helle – Thüringen
Elizabetha Eschlenberger (viúva) – Suíça
Nicolaus Arnelo – Thüringen
Jacob Arnold – Hessen
Gothell Werlich – Thüringen
Francisco Savoi – Suíça
Karl Grahnert – Thüringen
Heinrich Müller – Thüringen
Alexandro Burgharez – Suíça
Jorge Mayer – Suíça
Friedrich Killer – Suíça
Rosa Seoused (viúva) – Suíça
Balthasar Buck – Suíça
Balthasar Geiger – Suíça
Jacob Krotly – Suíça
Dominicius Mayer – Suíça
Samoel Bollinger (viúvo) – Suíça
Bartholomeo Kuns – Suíça
Jorge Hugs – Suíça
Johann Ruppert – Suíça
Johann Jacob Roos – Suíça
Johann Blumer – Suíça
Rudolpho Eichemberger – Suíça
Isalla Schmidt (viúva) - Suíça
Jacob Ungricht – Suíça
Melchior Nufer – Suíça
Johann Berlinger – Suíça
Jacob Karrer– Suíça
Johann Rudolfe Knutly – Suíça
Jacob Blumer – Suíça
Rudolpho Blumer (viúvo) – Suíça
Lourenz Krotty – Suíça
Johann Carl Wadnayer – Suíça
Fridolin Blumer (Viúva) – Suíça
Maria Josetta Peèlat (viúva) – Suíça
Luiz Peélat – Suíça
Jacob Sommerhalder – Suíça
Alexandro Bonadura – Suíça
Ditrich Altman – Suíça
Frodlin Blumer Filho – Suíça
Franz (ou Francisco?) Volkart – Suíça
Pedro Ignacio Bertolez – Suíça
Crhispinus Sinsly – Suíça
Leonard Christ – Suíça
Antonio Bertoez – Suíça
Rudolpho Killer (viúva) – Suíça
Samuel Klurert – Suíça
Ernest Escher – Thüringen
Johan Bernard Keller – Thüringen
Jacob Stauflacher – Suíça
João Baptista Laby – Bélgica
João José Marigue – Bélgica
Henrique Pullinkx – Bélgica
Jacob Killer – Suíça
Christian Jaecksch – Thüringen
Johann Kuns – Suíça
Emilius Breternitz – Thüringen
Nicolaus Neubauer – Thüringen
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